19 de abr. de 2009

Neologismos e Gírias

A língua está sempre se modificando: palavras novas, das mais diversas origens, são incorporadas ao idioma e logo absorvidas pelos falantes, que passam a utilizá-las no seu processo diário de comunicação. Simultaneamente, o avanço tecnológico, os modismos, as invenções exigem a criação de novas palavras. Às vezes, palavras antigas podem ganhar uma nova significação, um novo sentido. Surgem, assim, os neologismos.

Os neologismos podem ser criados a partir de palavras da própria língua do país (como as palavras "presidenciável" e "carreata", por exemplo) ou a partir de palavras estrangeiras ( "roqueiro" e "deletar", por exemplo).

No processo de criação de palavras novas, merecem destaque as gírias, que surgem num determinado grupo social e, por sua expressividade, acabam sendo incorporadas `a linguagem coloquial de outras camadas sociais.

A gíria é um fenômeno de linguagem especial que consiste no uso de uma palavra não convencional para designar outras palavras formais da língua. Pode ser empregada no intuito de fazer segredo, humor ou distinguir o grupo que a adota dos demais, muitas vezes criando um jargão próprio. Assim, como uma expressão idiomática, é uma palavra que se caracteriza por não permitir a identificação do seu significado através de seu sentido literal. Por essa razão, também não é possível traduzi-la para outra língua de modo literal. As gírias geralmente se originam de acordo com a cultura e peculiaridades de cada região.

É importante observar que a gíria é uma linguagem de uso passageiro: ao entrar em desuso, a mensagem pode se tornar incompreensível. Portanto, ao escrevermos um texto informativo, devemos evitá-las. As gírias podem comprometer a clareza, bem como a permanência do texto escrito, gerando complicações.

Aqui vão alguns exemplos:

Gíria Explicação


13 ou 22 Cara louco, doido, maluco.


24 Homossexual. O fato vem do número 24 ser o número do veado no Jogo do bicho.


38 (lê-se trinta-e-oito ou três-oitão) Arma de fogo bastante comum no Brasil, principalmente de forma ilegal.


171 (lê-se um-sete-um) Estelionatário. Refere-se ao artigo número 171, que versa sobre estelionato.


Abraçar jacaré Dar-se mal, encontrar-se em situação controversa.


Alcagüete ou Alcagüeta Pessoa dedo-duro, delatora.


Animal Muito legal, radical.

18 de abr. de 2009

CONJUNÇÃO


Além da preposição, há outra palavra que, na frase, é usada como elemento de ligação: a conjunção.


Por exemplo:


A menina segurou a boneca e mostrou quando viu as amiguinhas.
Deste exemplo podem ser retiradas três informações:
segurou a boneca
a menina mostrou
viu as amiguinhas


Cada informação está estruturada em torno de um verbo: segurou, mostrou, viu. Assim, há nessa frase três orações:


1ª oração: A menina segurou a boneca
2ª oração: e mostrou
3ª oração: quando viu as amiguinhas.


A segunda oração liga-se à primeira por meio do "e", e a terceira oração liga-se à segunda por meio do quando. As palavras "e" e quando ligam, portanto, orações.
Observe:
Gosto de natação e de futebol.
Nessa frase as expressões de natação, de futebol são partes ou termos de uma mesma oração. Logo, a palavra "e" está ligando termos de uma mesma oração.
Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações ou dois termos semelhantes de uma mesma oração.
Morfossintaxe da Conjunção
As conjunções, a exemplo das preposições, não exercem propriamente uma função sintática: são conectivos



Classificação da Conjunção


De acordo com o tipo de relação que estabelecem, as conjunções podem ser classificadas em coordenativas e subordinativas. No primeiro caso, os elementos ligados pela conjunção podem ser isolados um do outro. Esse isolamento, no entanto, não acarreta perda da unidade de sentido que cada um dos elementos possui. Já no segundo caso, cada um dos elementos ligados pela conjunção depende da existência do outro.


Conjunções Coordenativas


São aquelas que ligam orações de sentido completo e independente ou termos da oração que têm a mesma função gramatical. Subdividem-se em:
1) Aditivas: Ligam orações ou palavras, expressando idéia de acrescentamento ou adição. São elas: e, nem (= e não), não só... mas também, não só...como também, bem como, não só...mas ainda .
Por exemplo:
A sua pesquisa é clara e objetiva.
Ela não só dirigiu a pesquisa como também escreveu o relatório.


2) Adversativas: Ligam duas orações ou palavras, expressando idéia de contraste ou compensação. São elas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante.
Por exemplo:
Tentei chegar mais cedo, porém não consegui.


3) Alternativas: Ligam orações ou palavras, expressando idéia de alternância ou escolha, indicando fatos que se realizam separadamente. São elas: ou, ou...ou, ora, já...já, quer...quer, seja...seja, talvez...talvez.
Por exemplo:
Ou escolho agora, ou fico sem presente de aniversário.


4) Conclusivas: Ligam à anterior uma oração que expressa idéia de conclusão ou conseqüência. São elas: logo, pois (depois do verbo), portanto, por conseguinte, por isso, assim.
Por exemplo:
Marta estava bem preparada para o teste, portanto não ficou nervosa.


5) Explicativas: Ligam à anterior uma oração que a explica, que justifica a idéia nela contida. São elas: que, porque, pois (antes do verbo) , porquanto.
Por exemplo:
Não demore, que o filme já vai começar.


Saiba que:


a) As conjunções "e"," antes", "agora"," quando" são adversativas quando equivalem a "mas".
Por exemplo:
Carlos fala, e não faz.O bom educador não proíbe, antes orienta.Sou muito bom; agora, bobo não sou.Foram mal na prova, quando poderiam ter ido muito bem.


b) "Senão" é conjunção adversativa quando equivale a "mas sim".
Por exemplo:
Conseguimos vencer não por protecionismo, senão por capacidade.
c) Das conjunções adversativas, "mas" deve ser empregada sempre no início da oração: as outras ( porém, todavia, contudo, etc.) podem vir no início ou no meio.


Por exemplo:
Ninguém respondeu a pergunta, mas os alunos sabiam a resposta.Ninguém respondeu a pergunta; os alunos, porém, sabiam a resposta.
d) A palavra "pois", quando é conjunção conclusiva, vem geralmente após um ou mais termos da oração a que pertence.
Por exemplo:
Você o provocou com essas palavras; não se queixe, pois, de seus ataques.
Quando é conjunção explicativa," pois" vem, geralmente, após um verbo no imperativo e sempre no início da oração a que pertence.
Por exemplo:
Não tenha receio, pois eu a protegerei.



Conjunções Subordinativas


São aquelas que ligam duas orações, sendo uma delas dependente da outra. A oração dependente, introduzida pelas conjunções subordinativas, recebe o nome de oração subordinada.
Veja o exemplo:
O baile já tinha começado quando ela chegou.O baile já tinha começado: oração principalquando: conjunção subordinativaela chegou: oração subordinada
As conjunções subordinativas subdividem-se em integrantes e adverbiais:


1. Integrantes


Indicam que a oração subordinada por elas introduzida completa ou integra o sentido da principal. Introduzem orações que equivalem a substantivos. São elas: que, se.
Por exemplo:
Espero que você volte. (Espero sua volta.)Não sei se ele voltará. (Não sei da sua volta.)


2. Adverbiais


Indicam que a oração subordinada por elas introduzida exerce a função de adjunto adverbial da principal. De acordo com a circunstância que expressam, classificam-se em:


a) Causais: Introduzem uma oração que é causa da ocorrência da oração principal. São elas: porque, que, como (= porque, no início da frase), pois que, visto que, uma vez que, porquanto, já que, desde que, etc.
Por exemplo:
Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios.Como não se interessa por arte, desistiu do curso.


b) Concessivas: Introduzem uma oração que expressa idéia contrária à da principal, sem, no entanto, impedir sua realização. São elas: embora, ainda que, apesar de que, se bem que, mesmo que, por mais que, posto que, conquanto, etc.
Por exemplo:
Embora fosse tarde, fomos visitá-lo. Eu não desistirei desse plano mesmo que todos me abandonem.

Introduzem uma oração que indica a hipótese ou a condição para ocorrência da principal. São elas: se, caso, contanto que, salvo se, a não ser que, desde que, a menos que, sem que, etc.
Por exemplo:
Se precisar de minha ajuda, telefone-me.Não irei ao escritório hoje, a não ser que haja algum negócio muito urgente.


d) Conformativas: Introduzem uma oração em que se exprime a conformidade de um fato com outro. São elas: conforme, como (=conforme), segundo, consoante, etc.
Por exemplo:
O passeio ocorreu como havíamos planejado. Arrume a exposição segundo as ordens do professor.



e) Finais: Introduzem uma oração que expressa a finalidade ou o objetivo com que se realiza a principal. São elas: para que, a fim de que, que, porque (= para que), que, etc.
Por exemplo:
Toque o sinal para que todos entrem no salão.Aproxime-se a fim de que possamos vê-lo melhor.


f) Proporcionais: Introduzem uma oração que expressa um fato relacionado proporcionalmente à ocorrência da principal. São elas: à medida que, à proporção que, ao passo que e as combinações quanto mais...(mais), quanto menos...(menos), quanto menos ...(mais), quanto menos...(menos), etc.
Por exemplo:
O preço fica mais caro à medida que os produtos escasseiam.Quanto mais reclamava menos atenção recebia.
Obs.: São incorretas as locuções proporcionais à medida em que, na medida que e na medida em que.


g) Temporais: Introduzem uma oração que acrescenta uma circunstância de tempo ao fato expresso na oração principal. São elas:quando, enquanto, antes que, depois que, logo que, todas as vezes que, desde que, sempre que, assim que, agora que, mal (= assim que), etc.
Por exemplo:
A briga começou assim que saímos da festa.A cidade ficou mais triste depois que ele partiu.


h) Comparativas: Introduzem uma oração que expressa idéia de comparação com referência à oração principal. São elas: como, assim como, tal como, como se, (tão)...como, tanto como, tanto quanto, do que, quanto, tal, qual, tal qual, que nem, que(combinado com menos ou mais), etc.
Por exemplo:
O jogo de hoje será mais difícil que o de ontem.Ele é preguiçoso tal como o irmão.


i) Consecutivas: Introduzem uma oração que expressa a conseqüência da principal. São elas: de sorte que, de modo que, sem que (= que não), de forma que, de jeito que, que (tendo como antecedente na oração principal uma palavra como tal, tão, cada, tanto, tamanho), etc.
Por exemplo:
Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do exame.A dor era tanta que a moça desmaiou.



Locução Conjuntiva


Recebem o nome de locução conjuntiva os conjuntos de palavras que atuam como conjunção. Essas locuções geralmente terminam em "que". Observe os exemplos:
visto quedesde queainda quepor mais queà medida queà proporção quelogo que a fim de que
Atenção:
Muitas conjunções não têm classificação única, imutável, devendo, portanto, ser classificadas de acordo com o sentido que apresentam no contexto. Assim, a conjunção que pode ser:


1. Aditiva ( = e)Por exemplo:
Esfrega que esfrega, mas a mancha não sai.


2. ExplicativaPor exemplo:
Apressemo-nos, que chove.


3. IntegrantePor exemplo:
Diga-lhe que não irei.


4. ConsecutivaPor exemplo:
Onde estavas, que não te vi?


5. ComparativaPor exemplo:
Ficou vermelho que nem brasa.6. ConcessivaPor exemplo:
Beba, um pouco que seja.


7. TemporalPor exemplo:
Chegados que fomos, dirigimo-nos ao hotel.


8. FinalPor exemplo:
Vendo o amigo à janela, fez sinal que descesse.


9. CausalPor exemplo:
"Velho que sou, apenas conheço as flores do meu tempo." (V.Coaraci)
Conjunções, leitura e produção de textosO bom relacionamento entre as conjunções de um texto garante a perfeita estruturação de suas frases e parágrafos, bem como a compreensão eficaz de seu conteúdo. Interagindo com palavras de outras classes gramaticais essenciais ao inter-relacionamento das partes de frases e textos - como os pronomes, preposições, alguns advérbios e numerais -, as conjunções fazem parte daquilo a que se pode chamar de " a arquitetura textual", isto é, o conjunto das relações que garantem a coesão do enunciado. O sucesso desse conjunto de relações depende do conhecimento do valor relacional das conjunções, uma vez que estas interferem semanticamente no enunciado. Dessa forma, deve-se dedicar atenção especial às conjunções tanto na leitura como na produção de textos. Nos textos narrativos, elas estão muitas vezes ligadas à expressão de circunstâncias fundamentais à condução da história, como as noções de tempo, finalidade, causa conseqüência. Nos textos dissertativos, evidenciam muitas vezes a linha expositiva ou argumentativa adotada - é o caso das exposições e argumentações construídas por meio de contrastes e oposições, que implicam o uso das adversativas e concessivas.


Reforma Ortográfica

Não é de hoje que os integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) pensam em unificar as ortografias do nosso idioma. Desde o início do século XX, busca-se estabelecer um modelo de ortografia que possa ser usado como referência nas publicações oficiais e no ensino. No quadro a seguir tem-se, resumidamente, as principais tentativas de unificação ortográfica já ocorridas entre os países lusófonos. No Brasil, note que já houve duas reformas ortográficas: em 1943 e 1971. Assim, um brasileiro com mais de 65 anos está prestes a passar pela terceira reforma. Em Portugal, a última reforma aconteceu em 1945.

Cronologia das Reformas Ortográficas na Língua Portuguesa

Séc XVI até ao séc. XX - Em Portugal e no Brasil a escrita praticada era de caráter etimológico (procurava-se a raiz latina ou grega para escrever as palavras).
1907 - A Academia Brasileira de Letras começa a simplificar a escrita nas suas publicações.
1910 - Implantação da República em Portugal – foi nomeada uma Comissão para estabelecer uma ortografia simplificada e uniforme, para ser usada nas publicações oficiais e no ensino.
1911 - Primeira Reforma Ortográfica – tentativa de uniformizar e simplificar a escrita de algumas formas gráficas, mas que não foi extensiva ao Brasil.
1915 - A Academia Brasileira de Letras resolve harmonizar a ortografia com a portuguesa.
1919 - A Academia Brasileira de Letras revoga a sua resolução de 1915.
1924 - A Academia de Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras começam a procurar uma grafia comum.
1929 - A Academia Brasileira de Letras lança um novo sistema gráfico.
1931 - Foi aprovado o primeiro Acordo Ortográfico entre o Brasil e Portugal, que visava suprimir as diferenças, unificar e simplificar a língua portuguesa, contudo não foi posto em prática.
1938 - Foram sanadas as dúvidas quanto à acentuação de palavras.
1943 - Foi redigido, na primeira Convenção ortográfica entre Brasil e Portugal, o Formulário Ortográfico de 1943.
1945 - O acordo ortográfico tornou-se lei em Portugal, mas no Brasil não foi ratificado pelo Governo. Os brasileiros continuaram a regular-se pela ortografia anterior, do Vocabulário de 1943.
1971 - Foram promulgadas alterações no Brasil, reduzindo as divergências ortográficas com Portugal.
1973 - Foram promulgadas alterações em Portugal, reduzindo as divergências ortográficas com o Brasil.
1975 - A Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras elaboram novo projeto de acordo, que não foi aprovado oficialmente.
1986 - O presidente brasileiro José Sarney promoveu um encontro dos sete países de língua portuguesa - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe - no Rio de Janeiro. Foi apresentado o Memorando Sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
1990 - A Academia das Ciências de Lisboa convocou novo encontro juntando uma Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa – as duas academias elaboram a base do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. O documento entraria em vigor (de acordo com o 3º artigo do mesmo) no dia 1º de Janeiro de 1994, após depositados todos os instrumentos de ratificação de todos os Estados junto do Governo português.
1996 - O último acordo foi apenas ratificado por Portugal, Brasil e Cabo Verde.
2004 - Os ministros da Educação da CPLP reuniram-se em Fortaleza (Brasil), para propor a entrada em vigor do Acordo Ortográfico, mesmo sem a ratificação de todos os membros.

Nova Reforma Ortográfica - Aspectos Positivos

O Novo Acordo Ortográfico, em vigor desde janeiro de 2009, gera polêmica entre gramáticos, escritores e professores de Língua Portuguesa. Segundo o Ministério de Educação, a medida deve facilitar o processo de intercâmbio cultural e científico entre os países que falam Português e ampliar a divulgação do idioma e da literatura portuguesa. Dentre os aspectos positivos apontados pela nova reforma ortográfica, destacam-se ainda:
- redução dos custos de produção e adaptação de livros;
- facilitação na aprendizagem da língua pelos estrangeiros;
- simplificação de algumas regras ortográficas.

Nova Reforma Ortográfica - Aspectos Negativos

- Todos que já possuem interiorizadas as normas gramaticais, terão de aprender as novas regras;
- Surgimento de dúvidas;
- Adaptação de documentos e publicações.
Período de Adaptação

Mesmo entrando em vigor em janeiro de 2009, os falantes do idioma terão até dezembro de 2012 para se adaptarem à nova escrita. Nesse período, as duas normas ortográficas poderão ser usadas e aceitas como corretas nos exames escolares, vestibulares, concursos públicos e demais meios escritos. Em Portugal, cerca de 1,6% das palavras serão alteradas. No Brasil, apenas 0,5%.
Atualização dos Livros Didáticos
De acordo com o MEC, a partir de 2010 os alunos de 1º a 5º ano do Ensino Fundamental receberão os livros dentro da nova norma - o que deve ocorrer com as turmas de 6º a 9º ano e de Ensino Médio, respectivamente, em 2011 e 2012.
Reforma na Escrita
Por fim, é importante destacar que a proposta do acordo é meramente ortográfica. Assim, restringe-se à língua escrita, não afetando aspectos da língua falada. Além disso, a reforma não eliminará todas as diferenças ortográficas existentes entre o português brasileiro e o europeu.

Guia Prático da Nova Ortografia

Esteja atento às alterações previstas pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A partir de 2009, as novas regras linguísticas entrarão em vigor oficialmente.

1 - ACENTO AGUDO

O acento agudo desaparecerá em três casos:
a) Nos ditongos (encontros de duas vogais proferidas em uma só sílaba) abertos ei e oi das palavras paroxítonas (aquelas cuja sílaba pronunciada com mais intensidade é a penúltima).
Exemplos:
idéia -> ideia
geléia -> geleia
bóia -> boia
jibóia -> jiboia
Mais exemplos: alcateia, assembleia, asteroide, celuloide, colmeia, Coreia, epopeia, estreia, heroico, joia, odisseia, paranoia, plateia, etc.

Atenção

Essa regra é válida somente para palavras paroxítonas. Assim, continuam sendo acentuadas as palavras oxítonas terminadas em éis, éu, éus, ói, óis. Exemplos: papéis, herói, heróis, troféu, troféus, chapéu, chapéus, anéis, dói, céu, ilhéu.
Exemplos:
papéis
chapéus
troféu

b) Nas palavras paroxítonas com i e u tônicos formando hiato (sequência de duas vogais que pertencem a sílabas diferentes), quando vierem após um ditongo. Veja:
baiúca -> baiuca
bocaiúva -> bocaiuva
feiúra -> feiura

Atenção:
Se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ouseguidos de s), o acento permanece.Exemplos: tuiuiú, Piauí.

c) Nas formas verbais que possuem o u tônico precedido das letras g ou q e seguido de e ou i. Esses casos ocorrem apenas nas formas verbais de arguir e redarguir. Observe:
argúis -> arguis
argúem -> arguem
redargúis -> redarguis
redargúem -> redarguem

2 - ACENTO DIFERENCIAL

Acento diferencial é utilizado para auxiliar na identificação de palavras homófonas (que possuem a mesma pronúncia). Com o acordo ortográfico, ele deixará de existir nos seguintes casos:
pára/para, péla(s)/pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera. Observe os exemplos:
Ela não pára de dançar.
Ela não para de dançar.
A mãe péla o bebê para dar-lhe banho.
A mãe pela o bebê para dar-lhe banho.
Este é o pólo norte.
Este é o polo norte.
Os garotos gostam de jogar pólo.
Os garotos gostam de jogar polo.
Meu gato tem pêlos brancos.
Meu gato tem pelos brancos.
A menina trouxe pêra de lanche.
A menina trouxe pera de lanche.

Atenção:

Existem duas palavras que continuarão recebendo acento diferencial:
pôr (verbo) -> para não ser confundido com a preposição por.
pôde (verbo poder conjugado no passado) -> para que não seja confundido com pode (forma conjugada no presente).

3 - ACENTO CIRCUNFLEXO

O acento circunflexo deixará de ser utilizado nos seguintes casos:
a) Em palavras com terminação ôo. Veja:
enjôo -> enjoo
vôo -> voo
magôo -> magoo

Mais exemplos:

abençoo (abençoar) , coo (coar), coroo (coroar), doo (doar), moo (moer), perdoo (perdoar), povoo (povoar), voos (plural de voo), zoo (zoar).
b) Nas terminações êem, que ocorrem nas formas conjugadas da terceira pessoa do plural dos verbos ler, dar, ver, crer e seus derivados. Veja o exemplo abaixo:
Eles lêem. -> Eles leem.
Mais exemplos: creem, deem, veem, descreem, releem, reveem.
Atenção: Os verbos ter e vir (e seus derivados) continuam sendo acentuados na terceira pessoa do plural.
Eles têm três filhos.
Eles detêm o poder.
Eles vêm para a festa de sábado.
Eles intervêm na economia.


4 - TREMA

O trema, sinal gráfico utilizado sobre a letra u dos grupos que, qui, gue, gui, deixa de existir na língua portuguesa. Lembre-se, no entanto, que a pronúncia das palavras continua a mesma.
Exemplos:
cinqüenta-> cinquenta
pingüim -> pinguim
Mais exemplos: aguentar, bilingue, consequência, delinquente, frequente, linguiça, sequência, sequestro, tranquilo, etc.
Atenção: O acordo prevê que o trema seja mantido apenas em nomes próprios de origem estrangeira, bem como em seus derivados.
Exemplos: Bündchen, Müller, mülleriano.

5 - ALFABETO

O alfabeto passará a ter 26 letras. Além das atuais, serão incorporadas oficialmente as letras k, w e y. Observe a posição das novas letras no alfabeto:
A B C D E F G H I
J K L M N O P Q R
S T U V W X Y Z


6 - HÍFEN

O hífen deixará de ser empregado nos seguintes casos:

a) Quando o prefixo terminar em vogal diferente da vogal que iniciar o segundo elemento.
Exemplos:
Estou lendo um livro de auto-ajuda.
Estou lendo um livro de autoajuda.
Ele passou na auto-escola!
Ele passou na autoescola!

Mais exemplos: agroindustrial, autoafirmação, autoaprendizagem, autoestrada, contraindicação, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiárido, semiautomático, supraocular, ultraelevado, etc.

b) Quando o prefixo da palavra terminar em vogal e o segundo elemento começar com as consoantes s ou r. Nesse caso, a consoante será duplicada.

Exemplos:
Meu namorado é ultra-romântico.

Meu namorado é ultrarromântico.
Comprei um creme anti-rugas.
Comprei um creme antirrugas.

Mais exemplos: antessala, antirreligioso, antissemita, autorretrato, antissocial, arquirromântico, autorregulamentação, contrarregra, contrassenso, extrarregimento, extrasseco, infrassom, neorrealismo, ultrarresistente, ultrassonografia, semirreta, suprarrenal.

c) Não se utilizará mais o hífen nas palavras que, pelo uso, perderam a noção de composição. Veja:

pára-quedas -> paraquedas
Mais exemplos: mandachuva, paralama, parabrisa, parachoque, paraquedista, paravento.
Uso do Hífen
Com o novo acordo, o hífen passará a ser utilizado quando a palavra for formada por um prefixo terminado em vogal e a palavra seguinte iniciar pela mesma vogal. Observe o exemplo abaixo:
microônibus-> micro-ônibus
Mais exemplos: anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, anti-imperialista, arqui-inimigo, contra-ataque, micro-ondas, semi-interno, etc.
Atenção: Se o prefixo terminar com consoante, usa-se hífen se o segundo elemento começar com a mesma consoante.

Exemplos: hiper-requintado, inter-racial, super-resistente, super-romântico, etc.
Lembre-se: Nos demais casos, não se usa o hífen.Exemplos: hipermercado, intermunicipal, superinteressante, superproteção.

Fique tranquilo
As dúvidas que porventura existirem acerca da nova ortografia, certamente serão resolvidas com a publicação de um novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), como está previsto no Acordo. Esta responsabilidade compete à Academia Brasileira de Letras

16 de abr. de 2009

EMPREGO DO HÍFEN


RELAÇÃO DOS PREFIXOS MAIS USADOS:

_ AUTO, CONTRA, EXTRA, INFRA, INTRA, NEO, PROTO, PSEUDO, SEMI, SUPRA, ULTRA.

Estes prefixos exigem hífen quando se juntam a palavras iniciadas por vogal, h, r e s.
Exemplos: auto-análise, auto-escola, auto-estima, auto-retrato, auto-suficiente, contra-almirante, contra-ataque, contra-reforma, contra-regra, contra-senso, extra-humano, extra-oficial, extra-regimental, extra-secular, infra-estrutura, infra-renal, infra-social, intra-ocular, intra-uterino, intra-regional, intra-setorial, neo-humanista, neo-republicano, proto-história, proto-revolucionário, pseudo-herói, pseudo-revolucionário, pseudo-sábio, semi-analfabeto, semi-reta, semi-selvagem, supra-hepático, supra-renal, supra-sumo, ultra-especial, ultra-humano, ultra-realismo, ultra-romântico, ultra-sensível, ultra-som...
Exceção: "extraordinário" não leva hífen.

_ ANTI, ANTE, ARQUI, SOBRE.

Estes prefixos devem ser ligados por hífen a palavras iniciadas por h, r ou s.
Exemplos: anti-herói, anti-higiênico, anti-rábico, anti-séptico, anti-social, ante-histórico, ante-república, ante-sala, arqui-rabino, arqui-rival, arqui-sacerdote, sobre-humano, sobre-saia, sobre-ser, sobre-sinal...

_ INTER, HIPER, SUPER.

Estes prefixos só exigem hífen quando se juntam a palavras que começam por h e r.
Exemplos: inter-humano, inter-regional, hiper-raivoso, hiper-hidrose, super-homem, super-rápido, super-requintado...

_ SUB.

Este prefixo só exige hífen quando se associa a palavra que começa por b ou r.
Exemplos: sub-base, sub-bibliotecário, sub-região, sub-ramo, sub-reino.

ATENÇÃO PARA: bi, tri, tetra, penta, hexa...

Palavras com estes elementos não devem levar hifen.

Exemplos:
bicampeão, bimensal, bimestral, bienal, tridimensional, trimestral, triênio, tetracampeão, tetraplégico, pentacampeão, pentágono...

Também não se deve usar o hífen após os elementos "hidro, socio, micro, macro, multi, mini, mega e tele". Estes elementos sempre se juntam sem hífen à palavra agregada. Se esta começar com "r" ou com "s", teremos "rr" ou "ss".

Exemplos: hidrossanitária, sociopolítico, microempresa, minissérie, minissaia, macrorregião, megaempresa, megashow, multimídia, multirracial, multissecular, telespectador, teleducação, telecomunicação, telessala, telessexo, telessena...

Em relação ao prefixo "hidro", em alguns casos, há duas formas possíveis: "Hidroavião" e "hidravião"; "hidroenergia" e "hidrenergia"; por exemplo, são formas registradas pelo "Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa", da ABL.
Quando se junta o elemento "mini" a palavras que começam por "h", o "Formulário Ortográfico" não disciplina com clareza esse caso. Com exceção do "Houaiss", os demais dicionários também não tocam no assunto. O "Houaiss" registra: "Nos casos (...) em que o segundo elemento se iniciar por h, sugere-se o uso de hífen." É o que ocorre com "mini-hospital", "mini-hotel", etc.
No caso do elemento "socio", só usamos hífen quando ele é substantivo (= de associado). Exemplo: sócio-gerente.

Lista das principais palavras compostas que se ligam por hífen:

ab-reptício ab-rogar abaixo-assinado a lém-mar além-túmulo amor-perfeito arranha-céu baixo-relevo bannho-maria bate-boca bate-bola bate-papo belas-artes bem-aventurado bem-me-quer bem-querer bem-te-vi bem-vindo bom-dia boa-tarde boa-noite bota-fora capitão-de-mar-e-guerra carro-dormitório carro-forte circun-adjacente co-autor co-educação co-produção con-aluno côncavo-convexo copo-de-leite (flor) corre-corre decreto-lei emi-esférico ex-aluno ex-prefeito ganha-perde gente-de-fora gentil-homem guarda-chuva guarda-civil guarda-louça guarda-mor guarda-municipal guarda-noturno leva-e-traz louva-a-deus lugar-comum luso-brasileiro má-criação mal-agradecido mal-humorado mal-educado médico-cirúrgico mil-folhas mula-sem-cabeça navio-cargueiro navio-negreiro navio-tanque ob-rogar pan-americano pão-de-ló pára-choques pára-lamas pára-quedas passa-dez pau-de-arara pau-para-toda-obra pé-de-moleque pé-de-valsa pega-pega pisa-mansinho pisca-pisca político-econômico pombo-correio porta-voz pós-datar pré-alfabetização pré-carnavalesco pré-datado prima-dona pró-cardíaco puxa-encolhe puxa-puxa quebra-cabeça quebra-mola recém-chegado recém-nascido reco-reco ruge-ruge salário-família salário-minimo sangue-frio sem-fim sem-vergonha sempre-viva sob-roda tico-tico treme-treme vai-volta verde-amarelo vice-diretor vice-presidente vice-rei vira-casaca vira-lata

PRINCIPAIS PALAVRAS COMPOSTAS QUE NÃO LEVAM HÍFEM:

abdução abjurar aguarraz alçapão antecâmara antediluviano anteontem antepenúltimo anteprojeto antiaéreo antibiótico anticristo antiestético antiinflacionário antiinflamatório antiofídico arquidiocese arquiduque arquiinimigo autobiografia autocontrole autodidata autolotação bancarrota cantochão circumpolar circunscrever clarabóia coeficiente coessência cohabitar coirmão cologarítimo contrabando contracheque contradança contrafé contrafilé contramão contraprova contravento extraconjugal extracurricular extrajudicial extralegal extraordinário girassol guardanapo hiperacidez hiperativo hipermercado hipersensível infravermelho interação intercolegial intercontinental interestadual interestelar interplanetário interurbano intramuscular intrapulmonar intravenoso madrepérola malandança malcheiroso malcriado malfeitor malmequer mandachuva neoclássico neoliberal neozelandês oblongo panarmônico pandemônio passatempo pontapé protofonia protoplasma protozoário pseudofobia pseudopoeta pseudoprofeta reviravolta rodapé semiconsoante semideus semiditongo semifinal semivogal sobalçar sobestar sobpor sobreaviso sobrecapa sobreface sobreloja sobretaxa sobrevôo subaéreo subaxilar subchefe subdelegado subepático subestimar subgerente suborizontal subumano suboficial subsecretário subsolo subterrâneo superamigo superatleta supercondutor supermercado supersônico supracitado supranatural suprapartidário ultrademocrático ultramarino ultrapassagem ultravioleta vaivém

NOTA: a expressão "à toa" pode ser escrita com ou sem hífen, dependendo do seu significado:

1. à toa = "a esmo, ao acaso, sem fazer nada, em vão" (locução adverbial de modo, referindo-se ao verbo): "Passou a vida à toa"; "Anda à toa pelas ruas";

2. à-toa = "inútil, desprezível, desocupado, insignificante" (adjetivo que acompanha um substantivo): "Era uma mulher à-toa"; "Não passava de um sujeitinho à-toa".

11 de abr. de 2009

Sílaba

Observe:

A - MOR
A palavra amor está dividida em grupos de fonemas pronunciados separadamente: a - mor. A cada um desses grupos pronunciados numa só emissão de voz dá-se o nome de sílaba. Em nossa língua, o núcleo da sílaba é sempre uma vogal: Não existe sílaba sem vogal e nunca há mais do que uma vogal em cada sílaba. Dessa forma, para sabermos o número de sílabas de uma palavra, devemos perceber quantas vogais tem essa palavra. Atenção: As letras i e u (mais raramente com as letras e e o) podem representar semivogais.
Classificação das Palavras quanto ao Número de Sílabas

1) Monossílabas: Possuem apenas uma sílaba. Exemplos:
mãe, flor, lá, meu

2) Dissílabas: Possuem duas sílabas. Exemplos:

ca-fé, i-ra, a-í, trans-por

3) Trissílabas: Possuem três sílabas. Exemplos:
ci-ne-ma, pró-xi-mo, pers-pi-caz, O-da-ir

4) Polissílabas: Possuem quatro ou mais sílabas. Exemplos: a-ve-ni-da, li-te-ra-tu-ra, a-mi-ga-vel-men-te, o-tor-ri-no-la-rin-go-lo-gis-ta

Divisão Silábica
Na divisão silábica das palavras, cumpre observar as seguintes normas:
a) Não se separam os ditongos e tritongos. Exemplos:
foi-ce, a-ve-ri-guou
b) Não se separam os dígrafos ch, lh, nh, gu, qu. Exemplos:
cha-ve, ba-ra-lho, ba-nha, fre-guês, quei-xa
c) Não se separam os encontros consonantais que iniciam sílaba. Exemplos:
psi-có-lo-go, re-fres-co
d) Separam-se as vogais dos hiatos. Exemplos:
ca-a-tin-ga, fi-el, sa-ú-de
e) Separam-se as letras dos dígrafos rr, ss, sc, sç xc. Exemplos:
car-ro, pas-sa-re-la, des-cer, nas-ço, ex-ce-len-te
f) Separam-se os encontros consonantais das sílabas internas, excetuando-se aqueles em que a segunda consoante é l ou r. Exemplos:
ap-to, bis-ne-to, con-vic-ção, a-brir, a-pli-car

Acento Tônico

Na emissão de uma palavra de duas ou mais sílabas, percebe-se que há uma sílaba de maior intensidade sonora do que as demais.
calor - a sílaba lor é a de maior intensidade.
faceiro - a sílaba cei é a de maior intensidade.
sólido - a sílaba só é a de maior intensidade.
Obs.: A presença da sílaba de maior intensidade nas palavras, em meio à sílabas de menor intensidade, é um dos elementos que dão melodia à frase.

Classificação da Sílaba quanto a Intensidade

Tônica: É a sílaba pronunciada com maior intensidade.

Átona: É a sílaba pronunciada com menor intensidade.

Subtônica: É a sílaba de intensidade intermediária. Ocorre, principalmente, nas palavras derivadas, correspondendo à tônica da palavra primitiva. Veja o exemplo abaixo:

Palavra primitiva:
be -

átona
tônica
Palavra derivada:
be -
be -
zi -
nho
átona
subtônica
tônica
átona

Classificação das Palavras quanto à Posição da Sílaba Tônica

De acordo com a posição da sílaba tônica, os vocábulos da língua portuguesa que contêm duas ou mais sílabas são classificados em:
Oxítonos: São aqueles cuja sílaba tônica é a última. Exemplos:
avó, urubu, parabéns
Paroxítonos: São aqueles cuja sílaba tônica é a penúltima. Exemplos:
dócil, suavemente, banana
Proparoxítonos: São aqueles cuja sílaba tônica é a antepenúltima. Exemplos:
máximo, parábola, íntimo
Saiba que:
São palavras oxítonas, entre outras: cateter, mister, Nobel, novel, ruim, sutil, transistor, ureter.
São palavras paroxítonas, entre outras: avaro, aziago, boêmia, caracteres, cartomancia, celtibero, circuito, decano, filantropo, fluido, fortuito, gratuito, Hungria, ibero, impudico, inaudito, intuito, maquinaria, meteorito, misantropo, necropsia (alguns dicionários admitem também necrópsia), Normandia, pegada, policromo, pudico, quiromancia, rubrica, subido(a).
São palavras proparoxítonas, entre outras: aerólito, bávaro, bímano, crisântemo, ímprobo, ínterim, lêvedo, ômega, pântano, trânsfuga.
As seguintes palavras, entre outras, admitem dupla tonicidade: acróbata/acrobata, hieróglifo/hieroglifo, Oceânia/Oceania, ortoépia/ortoepia, projétil/projetil, réptil/reptil, zângão/zangão.

Fonologia - fonemas e grafemas

FONOLOGIA

DEFINIÇÃO:

Fonologia é o ramo da Lingüística que estuda o sistema sonoro de um idioma. Ao estudar a maneira como os fones (sons) se organizam dentro de uma língua, classifica-os em unidades capazes de distinguir significados, chamadas fonemas.


FONEMA

A palavra fonologia é formada pelos elementos gregos fono ( "som, voz") e log, logia ( "estudo", "conhecimento") . Significa literalmente " estudo dos sons" ou "estudo dos sons da voz". O homem, ao falar, emite sons. Cada indivíduo tem uma maneira própria de realizar esses sons no ato da fala. Essas particularidades na pronúncia de cada falante são estudadas pela Fonética.
Dá-se o nome de fonema ao menor elemento sonoro capaz de estabelecer uma distinção de significado entre as palavras. Observe, nos exemplos a seguir, os fonemas que marcam a distinção entre os pares de palavras:

amor - ator
morro - corro
vento - cento

Cada segmento sonoro se refere a um dado da língua portuguesa que está em sua memória: a imagem acústica que você, como falante de português, guarda de cada um deles. É essa imagem acústica, esse referencial de padrão sonoro, que constitui o fonema. Os fonemas formam os significantes dos signos lingüísticos. Geralmente, aparecem representados entre barras.


m/, /b/, /a/, /v/, etc.

Fonema e Letra

1) O fonema não deve ser confundido com a letra. Na língua escrita, representamos os fonemas por meio de sinais chamados letras. Portanto, letra é a representaço gráfica do fonema. Na palavra sapo, por exemplo, a letra s representa o fonema /s/ (lê-se sê); já na palavra brasa, a letra s representa o fonema /z/ (lê-se zê).
2) Às vezes, o mesmo fonema pode ser representado por mais de uma letra do alfabeto. É o caso do fonema /z/, que pode ser representado pelas letras z, s, x:

Exemplos:

zebra/casamento/ exílio

3) Em alguns casos, a mesma letra pode representar mais de um fonema. A letra x, por exemplo, pode representar:

- o fonema sê: texto- o fonema zê: exibir- o fonema chê: enxame- o grupo de sons ks: táxi

4) O número de letras nem sempre coincide com o número de fonemas.

Exemplos:

tóxico

fonemas:
/t/ó/k/s/i/c/o/
letras:
t ó x i c o
1 2 3 4 5 6 7
1 2 3 4 5 6

galho

fonemas:
/g/a/lh/o/
letras:
g a l h o
1 2 3 4
1 2 3 4 5


Classificação dos Fonemas:

Os fonemas da língua portuguesa são classificados em:

1) Vogais

As vogais são os fonemas sonoros produzidos por uma corrente de ar que passa livremente pela boca. Em nossa língua, desempenham o papel de núcleo das sílabas. Assim, isso significa que em toda sílaba há necessariamente uma única vogal.
Na produção de vogais, a boca fica aberta ou entreaberta. As vogais podem ser:

a) Orais: Quando o ar sai apenas pela boca.
Por Exemplo:
/a/, /e/, /i/, /o/, /u/.

b) Nasais: Quando o ar sai pela boca e pelas fossas nasais.

Por Exemplo:
/ã/: fã, canto, tampa //: dente, tempero//: lindo, mim/õ/ bonde, tombo// nunca, algum

c) Átonas: Pronunciadas com menor intensidade.
Por Exemplo:
até, bola

d)Tônicas: Pronunciadas com maior intensidade.
Por Exemplo:
até, bola
Quanto ao timbre, as vogais podem ser:
Abertas
Exemplos:
pé, lata, pó
Fechadas
Exemplos:
mês, luta, amor
Reduzidas - Aparecem quase sempre no final das palavras.
Exemplos:
dedo, ave, gente
Quanto à zona de articulação:
Anteriores ou Palatais - A língua eleva-se em direção ao palato duro (céu da boca).
Exemplos:
é, ê, i
Posteriores ou Velares - A língua eleva-se em direção ao palato mole (véu palatino).
Exemplos:
ó, ô, u
Médias - A língua fica baixa, quase em repouso.
Por Exemplo:
a
2) Semivogais

Os fonemas /i/ e /u/, algumas vezes, não são vogais. Aparecem apoiados em uma vogal, formando com ela uma só emissão de voz (uma sílaba). Nesse caso, esses fonemas são chamados de semivogais. A diferença fundamental entre vogais e semivogais está no fato de que estas últimas não desempenham o papel de núcleo silábico.
Observe a palavra papai. Ela é formada de duas sílabas: pa-pai. Na última sílaba, o fonema vocálico que se destaca é o a. Ele é a vogal. O outro fonema vocálico i não é tão forte quanto ele. É a semivogal.
Outros exemplos:

saudade, história, série.

Obs.: Os fonemas /i/ e /u/ podem aparecer representados na escrita por" e", "o" ou "m".
Veja:
pães / pãis
mão / mãu/
cem /ci/

3) Consoantes

Para a produção das consoantes, a corrente de ar expirada pelos pulmões encontra obstáculos ao passar pela cavidade bucal. Isso faz com que as consoantes sejam verdadeiros "ruídos", incapazes de atuar com núcleos silábicos. Seu nome provém justamente desse fato, pois, em português, sempre consoam ( "soam com") as vogais.
Exemplos:
/b/, /t/, /d/, /v/, /l/, /m/, etc